segunda-feira, 31 de maio de 2010
História dos risos de Alan
quarta-feira, 26 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
Essa vida é muito estranha, né...
Ele acha que a vida é tão curta
É tão curta a noite
Pra resolver em tão poucas horas...
Então vai...
E se encontra na fumaça que se faz
Projetada na luz colorida dos olhos
E chore, e chore, e chore
Agora
E chore, porque o tempo é uma anedota
E a rotina que mata, aborta!
Se curva na curva da estrada
Na curva do rosto e chore
É tão jovem o corpo
Pra resolver em tão poucos anos...
Então vai...
E se funde na viagem, nunca volte
E vá...
Meu amigo, eu te amo.
Tudo acaba quando tudo recomeça
Nos vemos, em breve, no trem
De uma mesma viagem ao além...
Estrelas eu vejo e desenho
Tu desenhas estrelas pra mim
Sentirei saudade, eu sei,
Mas aqui não é céu pra ti...
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Sono carrasco
Eles estavam todos mortos com as mãos apertadas derramando terra.
E também sonhei com elas. Estavam vivas e sorridentes sobre uma colcha de cetim. Contavam-me os anos passados e futuros. Um buquê de flores no bidê escondendo o abajur. Uma malícia adocicada de vinho. Então adormeci, pois não sabia proceder ali.
Eu como adorno.
Como a dor no
Prato da alma.
terça-feira, 27 de abril de 2010
De que valem as ruínas sem risco?
De que vale uma vida vazia?
Palavras sugadas,
Enxutas, expostas ao sol.
De que vale uma vida romântica?
Palavras seguras,
Capciosas, cretinas.
De que valem as mãos sobre a cabeça?
A cabeça sobre o chão
O chão fincado nas mãos
O afinco afiliado de solidão?
De que vale o pássaro voar?
Os aviões também?
O céu azul?
A matemática?
Os arrotos intelectuais?
As elucubrações poéticas?
Os noticiários?
Os rincões inabitáveis?
As telas?
As celas?
As células e seus núcleos?
De que valem as palavras?
A língua?
A minha, a tua?
De que valem os organismos indóceis em terra firme?
Os muros?
A imensidão?
De que valem os sonhos sem ossos e a imaginação sem corpos?
terça-feira, 13 de abril de 2010
Fuga
Penso,
Logo lamento.
Logo choro
Num arrebento
Num coro
Dum sentimento
Dum lago
Sem vozes.
Cem doses:
Goles secos
Sabor sangue
O céu firme
A “terra em transe”.
Tragédia, violência e viola
Violar a comédia em virulência
Virtuosos despidos da doença
Engolem o pó que a vida acalenta.
Penso,
Logo grito.
Logo esparramo
Num infinito
Num murro
Dum rito
Dum apachismo
Sem doses
Cem vozes:
Berros secos
Sabor sangue
O céu firme
A “terra em transe”.
Tragédia, violência e viola!
Tragédia, violência e viola!
Tragédia, violência e viola!
O cachimbo
O vento de solidão
Os sinos
As palavras que se repetirão
Solidão.
Solidão.
Solidão.
Não há tolhimento na virgindade da juventude
Mas ela continua virgem!
Não há nudez tão bela quanto às vestes da juventude
Mas ela continua vestida!
Tão ambígua
Tão pueril
Tão cretina!
Que já desistiu:
Dependência ou morte?
A comédia em cartaz no mês de Abril!
Não penso,
logo abdico.
Nem reflito, nem desejo, nem crio.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Os pêlos são a proteção
Estou nua.
Incompleta,
Tinteiro.
Meia
idade
Grisalho
Alto
Meio
Gordo,
Meio,
Curioso.
Boina
Casaco
Listrado
Sotaque
Jogado.
Transeunte.
Observador
Perguntou
Sobre
Mim,
Sobre
minha
História,
minha
vida.
Pouco
respondi
Ele
interviu.
Ouvi
Sobre
sua
História,
Sua
vida.
Física
Quântica
Matemática
Quanta
Química,
pensei.
Fitou-me
Olhos
Escuros
Convictos
Voz
Doce
De
Corpo
Amargo.
Que
Lhe
Basta
A
Alma
Da
Outra
Para
Lhe
Mediar
O
Sabor.
Aproximou
Franziu
A
Testa.
Distanciou
Para
O
Nunca.
Na
Porta
O
Corpo
Dele
Regressou.
Um
Sorriso
Fundido
Com
As dobras
Do
Rosto
Dobrou
O
Joelho
Inclinou
A
Cabeça:
“Viver
é
um
barato!”
segunda-feira, 29 de março de 2010
domingo, 14 de março de 2010
Duas horas das manhãs
Eu quase fui tomada pelo vento
Vendo tomadas de
“Vendo tomadas!”
Vender vem de ver
Inverter
O inverso é promíscuo
O seu verso é sagrado
nem velcro, nem viado.
Eu sei,
o canto bonito
é o canto da esquina
que ele financia
as meninas.
Eu sei,
a bolsa bonita
é a bolsa de valores
que eles rodam
e eles inflam de horrores.
Eu sei,
os homens e mulheres estão ouvindo o versículo que fazem dos outros pobres, negros e prostitutos e não se limpam com a piedade que excitam suas larvas barrigudas de preconceito.
E os seus versos, hein?
quinta-feira, 11 de março de 2010
Nomeie depois de ler
quarta-feira, 3 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
o mundo espera que eu lhe mande beijos...
Não quero inscrever,
dou-te minhas marcas,
marco-te em uma página,
Escrevo porque lês,
leio porque egoísta
sou.
Não quero inscrever.
Já agradeci os truques baratos e vivi trocando cartas para enriquecer de modo fácil.
De fácil, nem gelatina desmancha em língua
áspera.
Não quero inscrever.
Que seja mais do que um quadro de luz venha pincelar.
Na cegueira noturna, sereníssima cantiga que embala a madrugada e cola na pele
intervindo em pernas guiadas por controle remoto.
Obrigada, sem foto.
...e eu lhe beijo em meu mundo.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
História de um pensamento humano
"Nunca esqueça, sempre lembre."
Quando leu isto pela primeira vez, ainda não sentia os pêlos. A voz e o corpo finos. O sorriso tímido e os cabelos encaracolados, amarrotados pela confusão dos dedos. Leu de maneira lenta e curiosa.
Pensou em perguntar a mãe, emergiu o questionamento do estômago, porque o cérebro estava em superlotação.
O menino esqueceu.
Os pêlos cresceram e a voz...quase engrossou, o corpo continua fino, agora alto.
- Para meu amigo Augs.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
di-agnóstico
Divididos
No amargo do âmago,
Explodem
Em uma flâmula,
Vertiginosa
Como um pêndulo,
Tonta
Num regurgito íntimo,
Calma
Cala o medo ínfimo,
Jorra
A vida com ímpeto.




