segunda-feira, 18 de maio de 2009

Vaga lembrança

Esse café que se forma na xícara
Ameaça a colisão sobre o sofá, e o chão
Esse vapor é o frio de criança
Invade, penetra, arranha e desmancha:

O vapor na vidraça
Dedos percorrem
Formando um coração
E é por ele que se ama

Esse sereno que canta lá fora
É o mesmo da noite passada, e a outra
Esse casaco que envolve meu corpo
Já foi de tantos outros, e outros, e outros:

O café derramado
Mãos contornam
Apreciando o desenho
E é por ele que se mancha


Entre meios fico, um circo:
Parece que vivi
Parece que já estive aqui.

3 comentários:

Paulo Roberto Wovst Leite disse...

Gostei, voltarei mais, obrigado pelo convite.
Paulo.

Daniboy disse...

olá^^
gosto muito dessas sensações de já ter feito algo mesmo não tendo feito.....somos todos feitos de passado x)

Rubens da Cunha disse...

obrigado pela visita ao Casa de Paragens. Hospede-se sempre que desejar. Gostei muito desse seu poema. Lírico e intenso.