segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Doce deleite


Doce.
Doce de-leite..
Doce deleite...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Latifúndio

Uma agulha fere.

Salvo meus ouvidos mergulhados em ondas sonoras. Tudo inacabado.

Vidas inacabadas.

Linhas traçadas, reinventadas, tortas. Tortas, totalizando o nada.

Nem abismo para me arremessar.

Nem uma face abismada.

Nada.
Mas rabiscada estás.
Rebuscada em rascunhos reiterando o nada.
Palavras?
Nem minhas.
Nem tuas.
Mudas mudam o mundo:
Mudamos o mundano inundando
o
Imaginário gozo grafado
em linhas lunáticas
ludibriando
libidinagens
líricas.
Lívida retraio impulsos pecaminosos.
Pelos
caminhos,
Pergaminhos...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Id

O ar penetrou em ventania:

Vem vento ventilando
Ventila vozes velozes
Cala. Acalentando-me.

sábado, 7 de novembro de 2009

A miséria

No tempo remoto
Remonto o tempo:

A arte de saber
Soberba sucumbe:

em miséria:
em leito:
em morte:
da morte:

Dê-me morte
o pranto:

O desencanto
A miséria...

Faça-me morte
o verme:

[nada aqui]
A mim seria...
[apenas]
A miséria...
[somente]
A mim séria...

[eu]
A miséria...


A miséria...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Choque

Depois
que
descobri
que
existem
mais
estrelas
do
que
grãos
de
areia,
contemplo cada noite com a plenitude de um paciente terminal...

domingo, 25 de outubro de 2009

"Imorrível"

Sob a sombra espelhando
farejei a parede e engoli poeira.
Perdi os minutos,
como se fosse o último:

Que nunca o tive e ei de ter!
[Nó]

A sombra engolida pela poeira,
Um revólver sobre a cabeça.
[Só]

E termina. O fim de tudo.
[Pó]

Ouve-se ao fundo um ruído dissoluto
Nada.
O apito da fábrica no exato minuto.

domingo, 11 de outubro de 2009

Retalhos do barco

À bordo desse barco, na imensidão desse mar que mergulhei,
escrevo-te no tom mais sutil que encontrei.
Essa rima boba que deixei, é o risco de tudo que aceitei...

Estou lembrando das frases não ditas e por mim imaginadas.
Das mãos entrelaçadas, perigosas, precisas.
Dos cabelos encontrados pela sala.
Lembro-me dos beijos roubados, prolongados junto as tuas palavras.

Daqui não enxergo o chão, no qual caí quando partiste.
Agora flutuo abestalhada, abastada de dinheiro fútil.
Pouco restou da comédia romântica, salvo as atrizes,
com seus papéis de ridículas em vidas simultâneas.

Avisto o porto, preparo minhas pernas ensinando-as voar.
Um pulo só,
só no mar.

domingo, 4 de outubro de 2009

A praça I

Sentou no banco daquela praça,
cujo o balanço avisava a saída de uma criança.
Entorpecia a mente.
Era o ranger, diminuto, preciso.
Era o vento bagunçando os cabelos.
Um pensamento vago e a fumaça do cigarro.
Calada. Fria.
Calada da noite fria.
Cala-frios dominavam o corpo,
frio.

Frágil as pálpebras deslizaram, colidindo-se.

[Estrondo]

Dormiu no banco daquela praça.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Estrela

Ela viu com olhos que a noite há de sufocar
Sufoco refogado de infames palavras que contornam
a mente.

Com música entupindo as veias
Entorpecidas, entorpecente:
Calor no estômago
Gelados estão os lábios,
o ventre.

A noite germina com ela
A noite termina com ela,
Longe dela.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Pós-taça

[Acho que a lua foi por ali...

Teus passos, rasos, cravaram
Impetuosamente.

...Acho que eu também fui]

domingo, 9 de agosto de 2009

Dia XXX

Nada mais me é estranho.

Toda a estrada é sala
E os cantos, cozinha.
Tudo que é estranho:
Cozinha o canto lírico
Desmantela a poesia...

[Fragmentando códices
Gozando a letra que surgia
O impulso entorpecente
Que a palavra consumia]

Todo o asfalto é cama
E toda angústia, frívola.
Tudo que é estranho:
Frívola memória fria
Regurgita em poesia...





sábado, 8 de agosto de 2009

Às vezes...


quinta-feira, 30 de julho de 2009

À trabalho

Acho que era inverno. Era frio. Talvez fosse a madrugada ou o sonho, porque pude ver o sol, e vi ela por lá. Senti o perfume, ouvi os passos, contei os segundos para me aproximar. Ela sorriu, perguntou sobre mim, sobre minha família e amigos. Disse que estava tudo bem, como costume confortei suas indagações esperando pelo tempo. Os óculos me cegaram refletindo o sol, segurei sua mão: Suor. Acho que era primavera. Era quente. E as folhas no chão? Eram poesias, memoriais, depoimentos, diários de inocentes. Não era outono. Pouco importa a estação, estava com ela, a procura de uma estação: esperar pelo metrô e fugir. Ah! A metrópole nos espera, e lá o tempo com seu sopro a nosso favor, tanto sufoca, quanto liberta. Por que não a beijei? Ao invés de pensamentos possíveis? Acho que era inverno. Era frio. Entrei no café e busquei pelo informativo local:

- Por favor, café com leite e muito açúcar.

sábado, 25 de julho de 2009

Para uma nova despedida

Num repente caminhar saltitante, mas leve, ela farejou um ambiente já conhecido com precisão.

Tudo tão íntimo, no terceiro olhar já é estranho.

A música que ouvia em seu mp4 era a mesma que ouvia em outras despedidas.

Agora eram outras pessoas, e era outro lugar que desvendava.

A música, a mesma, porém all these places have their moments.

E um dispositivo biológico a fez continuar seus passos em câmera lenta.

A música faz sentido, principalmente em seu toque misterioso, que jorra lembranças.

There are places I remember...

E já no outro dia, no mesmo lugar, ainda desfrutava a detetive enrustida naquela mulher.

Aquele lugar estava estranho de novo. São os mesmos lugares, Though some have changed.

A mesma música para outra despedida.

Ela se imagina em uma calçada em um dia frio no meio da multidão. Só na multidão.

Porque é um corpo que se arrasta e cheira o vão deixado pelo perfume dos que partiram.

Talvez tenha sido ela que partiu: A vida, como ela era. Ela, a vida. Partiu uma maçã e comeu.

Lembra de tudo. De todos os rostos e abraços e afetos. Agora mais vivaz.

Por favor, fundo musical!

Play.

Os rostos aparecem de novo: Some are dead and some are living.

Ela não percebe que é o seu rosto que reflete na água e já lhe marca a idade.

De quem amou?

In my life i've loved them all...

Ela precisa ouvir de novo. E escreve. Escreve com as dores de quem sente o frio proposital.

Escreve para marcar um novo rosto.

Para ouvir de novo...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dia II

A sala é estranha
O colchão é estranho
O quarto também
O quarto também é estranho
Também a cozinha
O banheiro, o banho.
O banho e o quarto salvam
Na solidão momentânea
Tanto quanto a rua
que é estranha...

domingo, 12 de julho de 2009

Dia I

A escrivaninha é branca
O armário é branco
O teto é branco
A cortina é cinza
O asfalto é cinza
O lençol é cinza
Um cinza esbranquiçado como a fumaça
Um branco acinzentado como a vidraça:
que é parede.
Minha parede cristalizada...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Corpo Disciplinado - 18 de Julho - 15h - Sala D-004 FURB



Com Celso Kraemer

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dose de pontos que não formam uma reta

Ela sentiu dormência
apenas
As pálpebras pesaram,
O sonho descoloriu
película do "primeiro cinema".

Como protagonista agiu
Sem toque e sem cheiro
Breve, ligeiro
Como verme deixou
- o desejo costumeiro -
O corpo contorcer:

Torcer.
Vibrar.
Enojar.

Sem osso, promoção:
Costela sem osso.
O que é esse corpo?

Que desvia às margens
Que beira acidentes
Que produz viagens:

Aventura, loucura, ruptura!
Tormentos, fragmentos, excrementos!
Meu, teu, a-teu!
Meus, teus, d-eus!

O que é esse corpo?
Papel plural, cultural...

Grito:
Anestesia para a mente!

Indago:
Anestesia pára a mente?

Imploro:
Estesia para o corpo do ente!

Agulha letárgica
Na espinha dorsal
do ser.

Por que unidos são um disperso.
Um?

O que é esse corpo?
Diga-me antes de eu responder.
Quem vais escolher
dos teus eus para me dizer?

O que?

terça-feira, 30 de junho de 2009

A Sombra do Quadro

Disseram-me: Sem drama.



Ergo a cabeça da cama
Peso da noite mal dormida
Do sonho não lembrado,
o passado, confunde em
vozes, gestos, presentes que:
Não estão no retrato.

(Foi ontem?)

Acorda dessa cama
Chama pelo meu nome
Pergunta da minha escola
Mais uma vez, fala
do teu filho, do teu trabalho,
das tuas roupas, sapatos,
Indumentária da vida, olha o orvalho:
O teu bom dia se foi...

Oi!
Oi!

Você não responde mais.
Disseram para apagar o nunca:
Nunca farei isso, outra vez
dissimularam a tragédia
Maquiaram a certeza
Transformaram em comédia.

Ha! Sorria para mim,
dê o teu remédio,
O mate doce que pedi
O sal no canto da mesa redonda
Eu sorri.
Fala-me de tuas angústias
Conta-me das tuas intrigas,
Eu sorria, eu me lembro...